A realidade de Roraima
 


Roraima é o Estado mais ao Norte do Brasil. Possui área total de 225.116, 01 km e faz fronteira com a Venezuela e a República Cooperativa da Guiana. São 10 as etnias indígenas encontradas em Roraima. Ao todo, o Estado possui 15 municípios (Boa Vista, Alto Alegre, Cantá, Caracaraí, Mucajaí, Normandia, São João da Baliza, Caroebe, São Luiz do Anauá, Rorainópolis, Uiramutã, Pacaraima, Bonfim e Iracema) e uma população residente de 395.725 mil habitantes, considerada a menor densidade demografia do País. A atividade econômica do Estado baseia-se principalmente agropecuária e indústria madeireira.

Durante os últimos 30 anos a população, que tradicional e majoritariamente era indígena, sofreu um incremento considerável com a chegada de garimpeiros, provocada pela descoberta de jazidas minerais (ouro, em especial), e pela política de migração implementada pelo governo com o objetivo de transformar o antigo território em Estado.

Hoje, a maioria da população roraimense é formada por pessoas vindas de diversos Estados, principalmente do Nordeste do País. Isto faz com que não possamos falar de uma cultura autóctone, a não ser aquela indígena, que por sua vez é rejeitada e tida como marginal e inferior, como divulga a campanha anti-indígena promovida por oligarquias políticas e latifundiárias do Estado.

Os migrantes, por sua vez, não se identificam culturalmente como “povo de Roraima” e sonham voltar para as terras de origem, depois de fazer fortuna. O resultado é a ruptura com a própria identidade e a conseqüente fragmentação da sociedade.

Em Roraima, desde a sua criação, têm sido pródigas as injustiças sociais e o calar do povo com promessas assistencialistas praticadas pelos que detêm o poder político e econômico. Enquanto isso, o Estado é sucateado através de esquemas de corrupção que desviam milhões de reais de verbas públicas destinadas aos sistemas de saúde, educação, habitação, transportes, agricultura, que acabam por falir e deixar de exercer a função social.

Todos estes fatores impedem, ou dificultam, o fortalecimento das pessoas como cidadãos e sujeitos políticos na luta pela garantia dos direitos e na busca de soluções para os problemas do aqui e do agora.

Assim, prevaleceu e consolidou-se a realidade de Roraima: um cenário de exclusão social, discriminação, desigualdade e corrupção.