Durante
os últimos 30 anos a população, que
tradicional e majoritariamente era indígena, sofreu
um incremento considerável com a chegada de garimpeiros,
provocada pela descoberta de jazidas minerais (ouro, em
especial), e pela política de migração
implementada pelo governo com o objetivo de transformar
o antigo território em Estado.
Hoje,
a maioria da população roraimense é
formada por pessoas vindas de diversos Estados, principalmente
do Nordeste do País. Isto faz com que não
possamos falar de uma cultura autóctone, a não
ser aquela indígena, que por sua vez é rejeitada
e tida como marginal e inferior, como divulga a campanha
anti-indígena promovida por oligarquias políticas
e latifundiárias do Estado.
Os migrantes,
por sua vez, não se identificam culturalmente como
“povo de Roraima” e sonham voltar para as terras
de origem, depois de fazer fortuna. O resultado é
a ruptura com a própria identidade e a conseqüente
fragmentação da sociedade.
Em Roraima,
desde a sua criação, têm sido pródigas
as injustiças sociais e o calar do povo com promessas
assistencialistas praticadas pelos que detêm o poder
político e econômico. Enquanto isso, o Estado
é sucateado através de esquemas de corrupção
que desviam milhões de reais de verbas públicas
destinadas aos sistemas de saúde, educação,
habitação, transportes, agricultura, que acabam
por falir e deixar de exercer a função social.
Todos
estes fatores impedem, ou dificultam, o fortalecimento das
pessoas como cidadãos e sujeitos políticos
na luta pela garantia dos direitos e na busca de soluções
para os problemas do aqui e do agora.
Assim,
prevaleceu e consolidou-se a realidade de Roraima: um cenário
de exclusão social, discriminação,
desigualdade e corrupção.