| Nós
conselheiros do Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami
e Ye’kuana, presentes na sétima reunião do Conselho
Distrital de Saúde, que está se realizando em Boa Vista,
Roraima, de 28 a 30 de junho de 2005, ficamos estarrecidos ao constatar
que a invasão da Terra Indígena Yanomami está fora
de controle.
Diante disso, exigimos que as autoridades responsáveis (que, até
agora, inexplicavelmente, vêm se omitindo diante dessa grave situação)
tomem providências para a imediata retirada de todos os invasores
e também garantam que futuras invasões não venham
a ocorrer.
Hoje, além dos fazendeiros – que, mais de uma década
depois da homologação da Terra Indígena, ainda permanecem
lá – temos também: colonos no Baixo Ericó e
na Serrinha do Apiaú; Pescadores e caçadores no Ajarani
e Apiaú.
Além disso, os garimpeiros estão instalados nos seguintes
locais de Roraima: Pista do Buraco Fundo (antigo Cambalacho), região
do Alto Mucajaí; Pista do Feijão Queimado, região
do Alto Catrimani; Pista Relógio, na cabeceira do rio Catrimani;
Pista ainda não-identificada próxima à antiga pista
da Caveira, nas cabeceiras do rio Mucajaí; Pista do Castelo dos
Sonhos, na margem esquerda do Alto Mucajaí, Rio Koaimi, região
do Ericó;Wapakasibi, região do Ericó; Região
do Parafuri, próximo às comunidades de Xaruna e Polasai;
Região do Aratha-u, próximo às comunidades de Maissitheri
e Porapiki;
Região do Watho-u; Região do Haya-u; Rios Puruê, Mariyawopu-u
e Hokomai-u, na região do Palimi-u; Região de Pothomatha.
E no estado do Amazonas: nos municípios de São Gabriel da
Cachoeira e Santa Isabel do Rio Negro, nas áreas das aldeias de
Maturacá, Nazaré e Maiá.
Esses locais são alcançados ou abastecidos por via aérea
(aviões ou helicópteros). Parte do abastecimento ainda é
feita com lançamentos, mas a tendência é para a rápida
recuperação de velhas pistas ou construção
de novas. Sendo que, algumas destas regiões possuem acesso apenas
por via fluvial.
Temos notícia inclusive da doação de armas de fogo
e munições em áreas onde os yanomami podem usá-las
entre eles, causando mais perdas de vidas, e pondo em perigo a vida dos
mesmos membros das equipes que lhes dão assistência.
Não é difícil prever que estamos a caminho de uma
situação de caos social e sanitário, como a vivida
pelos yanomami no final dos anos 1980 e início dos anos 90, quando,
pelo menos, um quinto da população yanomami morreu devido
às doenças introduzidas pelos garimpeiros.
Não precisamos tecer comentários quanto aos efeitos dessas
presenças em relação ao meio ambiente.
Não compreendemos porque nenhuma atitude ou medida é tomada
por parte dos órgãos federais responsáveis, quando
sabemos que hoje, mais do que nunca, esses órgãos têm
nas mãos instrumentos para monitorar todo e qualquer movimento
nessa região (como é o caso do SIPAM, por exemplo, estrutura
bilionária montada, inclusive, para essa finalidade, dentro do
Projeto Calha Norte).
Boa
Vista, 30 de junho de 2005
Conselho
do Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami e Ye’kuana
Este documento foi enviado ao Ministro da Justiça, Márcio
Thomaz Bastos; Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva; Presidente da
Fundação Nacional do Índio, Mércio Pereira;
Presidente do Ibama Marcus Barros e Ministério Público Federal,
com cópia para o administrador regional da Funai-Roraima,Gonçalo
Teixeira e coordenadora regional do Ibama Sra. Nilva Baraúna.
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