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Assim
como os demais Estados que compõem a Amazônia Brasileira,
Roraima é extraordinariamente rico sob a perspectiva ecológica,
abrigando diversificados ecossistemas em toda extensão territorial.
Dos 225.116, 01 km, as áreas institucionais (terras indígenas,
unidades de conservação e áreas do Exército)
somam 115.466,00 km2 (51%). O território roraimense é
coberto por florestas, montanhas, rios, cachoeiras, campinaranas
e grandes extensões denominadas lavrados, com a presença
de gramíneas, árvores de caimbé, paricaranas
e igarapés banhados por buritizeiros.
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Roraima abriga ainda serras elevadas como Surucucus, ao Sul do Estado;
Auaris, na Terra Indígena Yanomami e Tepequém, no
centro-norte (município de Amajari), que por mais de 40 anos
sofreu grande dano ambiental, por conta da erosão e assoreamento
provocados pela prática indiscriminada de garimpo de ouro
e diamante.
O
Estado faz divisa com a Venezuela e a República Cooperativa
da Guiana. Em Roraima localiza-se o ponto mais setentrional do país,
o Monte Caburaí, com 1.465m de altitude, onde fica a nascente
do rio Uailã e também o Monte Roraima, que dos seus
2.875m e cerca de 2 bilhões de anos. Ambos fazem parte do
imenso planalto das Guianas.
As
florestas, serras, lavrados e rios de Roraima são o lar de
animais como onças-pintadas, tamanduás, jacarés,
lontras, araras, papagaios, queixadas, macacos, veados, cotias,
tatus, antas, gatos-maracajá, pacas, tartarugas, tracajás,
sucuris, tucunarés, matrinxãs, piranhas, tambaquis
e outros.
De
Norte a Sul do Estado já foram identificados cerca de 90
sítios arqueológicos, que comprovam a presença
milenar de povos indígenas.
O
mais conhecido deles está na Terra Indígena
São Marcos, no vale do Parimé, 130 km ao norte
da capital, onde se encontra o complexo da Pedra Pintada,
Pedra do Urubu, e Pedra do Pereira. Na Pedra Pintada, que
possui diâmetro de 60 m por 40m de altura e contém
uma caverna, foram encontradas pinturas rupestres, fragmentos
cerâmicos, artefatos funerários e de pedra e
objetos de adorno, atribuídos ao povo indígena
Macuxi, habitante tradicional da região. |
O Estado é irrigado por inúmeros igarapés
que alimentam uma malha fluvial de 26 rios que formam a bacia
hidrográfica do rio Branco, o principal deles e que
corta Roraima de Norte a Sul em 584 km de extensão,
até desembocar no rio Negro, já no Estado do
Amazonas. Também é constante em toda a região
a presença de lagos, como as diversas lagoas perenes
existentes em Boa Vista, capital do Estado e o lago Caracaranã,
cuja extensão é de 5,8 km e profundidade que
chega a 5 metros, de águas cristalinas cercadas por
praia de areia branca onde proliferam cajueiros nativos.
Entre as unidades de conservação estão
os Parques Nacionais Monte Roraima, Serra do Viruá
e Mocidade, a Floresta nacional de Roraima e as estações
ecológicas de Caracaraí, Naiquiá e Maracá,
localizada na Ilha de Maracá, 120km a noroeste de Boa
Vista. Maracá é a terceira maior ilha fluvial
do planeta e também a primeira estação
ecológica criada no Brasil, em 1981. A área
da ilha é coberta por florestas, cerrados, pântanos
e colinas que abrigam uma enorme diversidade ecológica.
Este
rico e raro quadro ecológico, no entanto, vem sendo
ao longo dos anos ameaçado pela prática do garimpo
(por muitos anos amparado pela Lei e hoje na clandestinidade),
das queimadas, da extração ilegal de madeira
e pelo avanço indiscriminado do latifúndio,
monocultura e agroindústria, sem que haja controle
de impactos ambientais.
O
avanço se dá, inclusive sobre áreas indígenas
demarcadas e constitucionalmente homologadas, especialmente
a rizicultura e a monocultura de acácia mangium - cujos
impactos ecológicos implicam na ocupação
do espaço de espécies nativas, por alelopatia
podendo impedir a germinação de outras espécies
e apresentando risco de impacto sobre o equilíbrio
hídrico, especialmente em caso de invasão em
ambientes ciliares.
No
relatório apresentado em 2005 pela Comissão
Pastoral da Terra (CPT), Ralf Weissenstein, então coordenador
da entidade alerta: “O arroz foi a primeira monocultura
implantada no Estado. O processo de instalação
da agroindústria e do latifúndio acelerou com
a conclusão do asfalto da BR-174, que liga Manaus a
Boa Vista. Ao longo dos últimos anos os rizicultores
se instalaram cada vez mais nas margens dos rios que se encontram
dentro da Área Indígena Raposa Serra do Sol.
Praticamente todos os rios e igarapés da região
do Baixo Cotingo foram invadidos pelos produtores de arroz,
causando enormes estragos ambientais na região”.
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A degradação ambiental provocada pelas lavouras
de arroz pode ser constatada a olhos nu na Terra Indígena
Raposa Serra do Sol, às margens do rio Surumu. No local
a mata ciliar foi completamente destruída, dando lugar
às plantações e a obras de irrigação
para as lavouras.
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As comunidades indígenas que vivem na região vêm
denunciando o envenenamento das águas dos igarapés,
deformações e desaparecimeto dos peixes assim
como a ocorrência de doenças de pele em crianças
e adultos, provavelmente pela ingestão de água
ou animais contaminados com pesticidas que também são
espargidos sobre as comunidades por aviões fumegadores.
(fotos)
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