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Preocupadas com a agressiva degradação ambiental causada
pelos arrozeiros, as comunidades indígenas das regiões
da Raposa, Serras, Baixo Cotingo e Surumu, iniciaram no dia 30 de
junho a construção de uma nova comunidade na Terra
Indígena Raposa Serra do Sol, às margem do igarapé
Jauari, a 180 quilômetros de Boa Vista. Esta decisão,
firme e pacífica tem como objetivo impedir o avanço
da degradação.
ARTIMANHA
Em represália, numa ação orquestrada, arrozeiros
organizaram uma reação violenta incitando a população
à desordem e ao conflito, o que culminou com o seqüestro
de 2 funcionários da Funai.
Dias depois,
estes arrozeiros denunciaram invasões a lavouras de sua propriedade,
depredação de patrimônio, derrubada de cercas,
ameaças e intimidações “praticadas por
indígenas”. “Classes produtoras de Roraima”
foram a público afirmar que os invasores eram patrocinados
por ongs. Mais uma vez, jornais da cidade publicaram cada um dos
factóides e senadores de Roraima levaram as manchetes produzidas
às tribunas federais e ao Palácio do Planalto para,
indignados, mostrarem ao Presidente ‘a realiade de Roriama”.
CAI
A MÁSCARA
No dia 27 de julho de 2004, é publicado sem destaque num
jornal local: “PF diz que não houve invasão
indígena”. “Não foi constatada nenhuma
invasão de terras por índios. Esta foi a iformação
preliminar do delegado federal Eduardo Alexandre Fontes, chefe da
Delegacia de Assuntos Institucionais (Delint)”.
Líderes
sindicais, movimentos populares e ambientalistas apóiam Raposa
Serra do Sol
André
Vasconcelos
- No dia 8 de julho, uma caravana organizada pelo Movimento Nós
Existimos levando 63 lideranças sindicais, populares e ambientalistas
de oito municípios do estado de Roraima visitou a TI Raposa
Serra do Sol. Com o objetivo de fortalecer a aliança entre
os povos indígenas e os trabalhadores rurais e urbanos de
Roraima, a delegação levou seu apoio aos 200 indígenas
da aldeia Novo Jauari, que está sendo erguida, com a colaboração
de mais 260 parentes da aldeia São Francisco, com a intenção
de conter o avanço das lavouras de arroz irrigado na terra
indígena.
A
experiência do diálogo entre índios, operários(as)
urbanos e trabalhadores(as) rurais vem fortalecendo os três
segmentos e unificando a luta pela terra e por outros direitos fundamentais.
O
tuxaua Irineu Aniceto recepcionou a caravana pedindo que os ‘brancos’
entendessem o “jeito de viver” dos índios. “Somos
diferentes das pessoas do dinheiro”, explicou.
João
Carlos Martínez, coordenador do Movimento Nós Existimos,
disse que a intenção da visita foi mostrar aos povos
indígenas que eles não estão sós. “A
luta de vocês pelos próprios direitos é um exemplo
para todo o movimento social de Roraima. Vocês não
estão sós, essa visita é para dizer isso”,
afirmou.
Luiz
Carlos Gomes, secretário executivo do Grupo de Trabalho Amazônico
– GTA/RR, referendou o apoio dos trabalhadores rurais aos
companheiros indígenas. “Estamos representando muitas
e muitas outras pessoas, entidades e associações de
todo estado de Roraima que também acreditam nessa luta, porque
somos parte dela, seja aqui, no campo ou na cidade”.
Para
Lúcia Glória Magalhães, presidenta da Central
Única dos Trabalhadores - CUT/RR, é possível
construir um caminho de paz para unificar a luta e enfrentar as
agressões aos direitos indígenas e a destruição
do meio ambiente.
O
secretário geral do Grupo de Trabalho Amazônico - GTA,
Adilson Vieira, ficou impressionado com o impacto ambiental causada
pelas lavouras de arroz. “Será que tudo isso tem licença
ambiental? Vamos mobilizar toda a rede GTA para cobrar uma fiscalização
do Ministério do Meio Ambiente”, comprometeu-se.
O
tuxaua Nelino Galé, lembrou que apesar das liminares da Justiça
manterem a redução de Raposa Serra do Sol, os povos
indígenas vão continuar ocupando a área com
retiros e comunidades. “Aqui é a nossa terra, não
queremos voltar a ser escravos. Aqui nós temos a nossa ‘liminar’.
A liminar do índio é viver na terra. Levem essa notícia
para os outros ‘brancos”, disse o líder macuxi.
Emocionado,
o coordenador regional do Conselho Indígena de Roraima, Marinaldo
Justino Trajano, disse que a visita dos trabalhadores rurais e urbanos
à comunidade Novo Jauari “encoraja a luta dos povos
indígenas da Raposa Serra do Sol”.
No
trajeto de uma aldeia à outra, a caravana cruzou três
lavouras de arroz irrigado instaladas na margem esquerda do rio
Cotingo.
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